Foi pouco tempo, mas valeu!

Brás, eu jamais te esquecerei.

Jamais esquecerei as idas à Brás, as pessoas e histórias que conheci. Fica o aprendizado, lições de vidas, superações de dificuldades, exemplos de vitórias, momentos de carinho, coleguismo, enfim muitas coisas boas no coração e na mente. Parabéns aos idealizadores deste projeto e um muito obrigado à todos pela convivência.
E uma palavra fala mais que mil palavras… Então curta algumas provas de felicidades na Vila Brás:

Eu e minha colegas e amigas Débora e Sindy depois da nossa primeira visita à Vila Brás. Foto: Liege Freitas

Sindy e eu com meninas lindas da Brás. Foto: Liege Freitas

Vanessa Manzoni e eu brincando de modelos. Foto: Vinícius Casco

Um grande colega: Vinícius Casco. Foto: Liege Freitas

A turma com os professores Eduardo e Flávio. Foto: Vinícius Casco

As mais loucas, Liege, Gaby, Taína e eu. Foto: Vinícius Casco

Para provar que esta disciplina foi muito divertida! Foto: Vinícius Casco

Identidade renovada na Brás

Por Tiago Vargas

Identidade. Talvez esta seja a palavra que possa resumir o sentimento demonstrado pelos moradores da Brás ao longo do convívio com nós, alunos da Unisinos. A necessidade de mostrar o que fazem e a confiança para falarem o que sentem e reclamarem do que estão descontentes é uma vitória conjunta.

Isso mostra que aos poucos a comunidade está se reconhecendo. Só é possível gostar ou desgostar de algo quando se conhece. A nossa contribuição pare esse processo nunca foi medida, mas é considerável.

Quando propus ao Luciano Borba que ele fosse o repórter e não eu passei pra ele uma responsabilidade nova. Quem tinha o ‘poder’ do bloco e da caneta não era mais eu. E logo os olhares também mudaram.

“Tu vai ficar famoso, hein Luciano”. “Ta podendo”. Esses foram algumas das exclamações que, nos poucos instantes como repórter, ele pode ouvir.

Foi então que eu propus o primeiro desafio real. Ele teria que me entrevistar. “Mas o que vou perguntar?”, disse ele. É comum não se saber quais perguntas fazer. Foi aí que o incitei a me questionar sobre a ida dos alunos da Unisinos até a Brás. “Tu não tens dúvidas sobre nós? Pode perguntar”, disse eu. E aos poucos foi se soltando o novo repórter.

Todas as perguntas eram relacionadas à nossa visão sobre os moradores. Queria saber se tínhamos medo, se éramos bem recebidos. Ficou claro que o estigma da violência ainda está presente na Vila e talvez fique por lá pra sempre. Acho até que isso é bom. Sabendo como um dia foi a Brás, onde ninguém saia tranquilo e nem mesmo em casa estava em paz, e como ela é hoje, é provável que os moradores de bem nunca mais permitam que a criminalidade se aloje lá. E só um povo que se conhece, que tem identidade, pode lutar diariamente contra um passado como fazem aqueles que hoje se orgulham de dizer “EU MORO NA VILA BRÁS”.

Última visita

Por Sindy Longo

Sábado, dia 7 de maio de 2011, foi a última visita da turma de Redação experimental em jornal a vila Brás. Nesse último encontro com a comunidade, procurei andar mais pelos becos e vielas, conhecendo um pouco mais como vivem os moradores.

Escutei diversas histórias sobre sonhos e concretizações dos mesmos, por isso resolvi escrever uma matéria sobre um deles: a casa própria. Ao ouvir os moradores fiquei emocionada várias vezes. Foi em durante a conversa com o presidente da associação dos moradores da vila Brás que conseguir enxergar o outro lado da história, o lado de quem ajuda. A partir daquele momento e daquelas palavras em meio de frases tão bonitas que tive uma lição de vida e solidariedade. Ele se doa para ajudar os outros, em troca, recebe a gratidão dos moradores.

Com essa experiência passei a admirar mais ainda aquele que sempre procuram ajudar o próximo, e percebi que quando queremos, acreditamos e lutamos por algo, a gente alcança. As pessoas deveriam sair de seu “mundinho” e olhar em sua volta, para assim podermos melhorar a convivência e consequentemente a sociedade.

Tumultudado adeus

Por Priscila L. Pilletti

As possibilidades de pauta que a Vila Brás oferece, todas repletas de fontes que asseguram o assunto na maior tranquilidade caracterizaram minha ida de despedida. Tinha diversas ideias na cabeça, que, conforme eu e a fotógrafa Lorena avançávamos vila adentro, foram se dissipando uma a uma.

Antes de chegar à pauta final, em meio às idas e vindas, procurando por alguma noiva de maio nos salões de beleza, fomos surpreendidas por um dos cabeleireiros. O senhor Silva queixou-se de uma matéria feita com ele há alguns semestres, chegando ao ponto de dizer que, para ele, o Enfoque nem precisava existir. Atrevo-me opinar que o senhor Silva não conhece muito do trabalho jornalístico, pois, entre suas reclamações, disse que “metade do que disse não foi publicado” e que “bateram muitas fotos e, no fim, não foi publicada nenhuma”. Porém, se realmente aconteceu, estava coberto de razão ao se indignar por ter seu salão chamado de Sílvia Cabeleireira, ao invés de Silva Cabeleireiro. Gostaria que ele tivesse acesso a este texto para que soubesse que, por questões logísticas, publicar as informações em síntese e omitir imagens é algo que acontece em qualquer jornal impresso do mundo. E que concordo que errar o nome da fonte é um erro imperdoável.

Deixo aqui este relato e resposta ao senhor Silva, pois no momento ele não deu muito espaço para que eu ou Lorena explicássemos muita coisa. Até o tsunami no Japão relacionado à sua crença ele citou. Mas enfim…

Minha matéria acabou sendo sobre grupo de idosos, algo no que já havia pensado há um tempo. De porta em porta, fui descobrindo um grupo de simpáticas e animadas senhoras que fazem ginástica na associação de moradores duas vezes por semana. Por mais leve que tenha sido no momento, foi complexo, durante a semana, localizar quem organizava as aulas dessas senhoras, já que elas não sabiam de que entidade a professora vinha. De estagiárias da Unisinos, que foi a primeira informação que recebi, descobri dias depois que o grupo é uma atividade da Secretaria de Esportes de São Leopoldo.

Foi com trabalho, mas prazer que encerrei meu trabalho para o Enfoque Vila Brás. Desejo sorte aos próximos colegas!

A terceira e última vez

Por Juliana Brião

Vila Brás é uma caixinha de surpresa. E na última ida lá, não seria diferente. Mais uma vez a pauta que tinha em mente caiu. Mais uma vez o “desespero” de não ter pauta bateu. E não foi simples “achar” uma nova. Após uma longa conversar com o professor me achei e voltei pros velhos e bons salões de beleza da Brás.

Não foi difícil pedir ajuda para as cabelereiras Jane e Tatiana, achei que elas não iam querer abrir os “segredos”, mas entre uma risada e outra chegamos ao que precisava. Além de aprender também como cuidar de um cabelo em casa.

As dicas que as duas deram não são somente para as mulheres da Vila, mas para qualquer mulher. Eu, por exemplo, nunca iria imaginar que gel de cabelo evitava manchas de tinta no rosto. Ou que um creme de hidratação qualquer com uma ampola certa ajudaria o cabelo sem precisar de muita coisa.  A Vila Brás com certeza não é um lugar só para escrever sobre, mas também para se aprender.

Comentário

Por Joice Paz

Encerrar um ciclo nunca foi fácil para mim. O sábado, dia 07/05, marcou a última visita à Vila Brás. Não posso dizer que estou satisfeita, já que por ironia (ou não) do destino, fui pautada por duas moradoras a relatar os problemas e prejuízos que a chuva causa na Brás. Desta vez, busquei outro culpado, outra voz que pudesse resolver este problema de uma forma eficaz. Não encontrei!

Caminhei até a divisa das cidades de São Leopoldo e Novo Hamburgo para conhecer melhor à bacia do Arroio Gauchinho, o causador das enchentes, e a cada passo que eu dava me sentia mais impotente por não poder fazer nada além de escrever sobre um problema recorrente que causa grandes perdas para quem trabalhada para pagar tantos impostos.

Pude notar a falta conscientização por parte de alguns moradores que transformam o arroio em um grande depósito de lixo, sem pensar no impacto ambiental que isso causa. E mais uma vez tive certeza que as autoridades só se preocupam com a população na época das eleições, já que os apontados pelas reportagens anteriores sequer responderam meu pedido de resposta.

Fico feliz por ter concluído esta cadeira e ter conhecido tantas pessoas receptivas que expressaram com suas histórias e frustrações cada palavra que escrevi, e foram capazes de despertar uma indignação que estava adormecida nesta aspirante à Jornalista.

Quando o esporte ajuda a superar as limitações

Por Henrique Machado

Quando fiz minha primeira visita à Vila Brás, com a pauta do “Você reclama”, ao passar em frente a uma residência da Rua 13, n° 55, uma senhora ao saber que estávamos fazendo matérias para o jornal Enfoque, me chamou e começou a contar a história da sua filha que iria para o Rio de Janeiro disputar um campeonato de canoagem. Essa senhora portava um papel o qual contava resumidamente a história da garota e pedia patrocínio para que ela conseguisse disputar a competição na cidade fluminense.

O que me chamou atenção foi um detalhe que para mim foi decisivo para querer contar a história dessa adolescente: ela possuía má formação congênita em uma das mãos e ainda assim isso não a impedia de praticar um esporte que exige muito esforço manual.

Anotei o número do telefone da mãe de Bianca, dona Cláudia Silva e entrei em contato com ela para saber se a Bianca tinha conseguido verba suficiente para disputar o sul-americano que ocorreria justamente entre os dias 06 e 10 de abril.

Com a resposta afirmativa e sabendo que Bianca tinha obtido o primeiro lugar na competição, entrei em contato com o instrutor de Bianca e a coordenadora do Projeto Canoagem na Escola para saber mais detalhes, tanto do projeto quanto da adolescente, sua atuação, seu comportamento etc.

Tanto o instrutor, quanto a coordenadora do projeto foram muito atenciosos comigo. Passaram-me as informações necessárias e explicaram como funciona o projeto quando fui fazer a matéria visitando o local e dos treinos.

Bianca é uma adolescente determinada. Não se importa com as limitações que sua deficiência impõe e supera tudo com muita garra e vontade de vencer. Mesmo que esse não seja o principal objetivo do projeto Canoagem na Escola, a busca por melhores resultados parece ser uma obsessão para a garota moradora da Vila Brás. Sua mãe conta orgulhosa as vitórias da filha e faz de tudo para que Bianca consiga participar dos treinos e competições.

Ao final da realização dessa matéria, tive a consciência de que mesmo com dificuldades e obstáculos, a vontade de vencer e a determinação para atingirmos nossos objetivos são decisivas na nossa luta diária contra as adversidades.